terça-feira, 3 de março de 2015
Duas coisas me fascinam nesta vida: a humanidade e a arte.
1 Conheço a arte pela carne.
Ainda sou criança e às vezes me desespero no prazer imediato. Se não me atento, vivo pela carne, ela pode me satisfazer num gozo breve - é como os poeminhas da Emily Dickinson, me encantam, me fazem sorrir. Como ouvir Verão do Vivaldi, enche meu coração de alegria, tira o oxigênio do meu cérebro como numa tragada longa de cigarro.
2 Agora estou ficando velha.
Chegando ao fim a adolescência, o sentido da minha vida continua batendo na porta, tocando a campainha mesmo que eu repita "Volta mais tarde!". Ele me responde
- Alice, não esquece o espírito, Alice! Ora! Ler um poema, ouvir uma sonata ou admirar um quadro com a carne é só metade da experiência. A carne traz o prazer, a simpatia, a admiração. O espírito traz a compreensão, a sabedoria. Muito melhor do que chorar ao ler "O cão sem plumas" do Cabral é chorar lendo-o pela segunda vez, é se entristecer entendendo o que é ser miséria, lendo-o pela terceira vez, não apenas carne, mas também espírito.
3 Quero ler a humanidade com carne e espírito.
Cada ser se desdobra em camadas, muitas delas indecifráveis. De relance, primeiramente, o outro é só um vulto, uma paisagem nebulosa. Cada indivíduo neste mundo eu quero conhecer com a carne e com o espírito. Ninguém é tão raso para ser sentido só com a carne, ninguém é tão chato para ser apenas entendido pelo espírito.O sentido da vida é experienciar os dois com cada um que cruzar meu caminho, vou abrir a porta pra ele.
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